“Eu e você. Não é assim tão complicado, não é difícil perceber. Quem de nós dois vai dizer que é impossível o amor acontecer? Se eu disser que já nem sinto nada, que a estrada sem você é mais segura, eu sei você vai rir da minha cara. Eu já conheço o teu sorriso, leio o teu olhar. Teu sorriso é só disfarce, o que eu já nem preciso. Sinto dizer que amo mesmo, está ruim pra disfarçar. Entre nós dois não cabe mais nenhum segredo, além do que já combinamos. No vão das coisas que a gente disse não cabe mais sermos somente amigos e quando eu falo que eu já nem quero, a frase fica pelo avesso, meio na contra mão quando finjo que esqueço, eu não esqueci nada. E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais e te perder de vista assim é ruim demais. E é por isso que atravesso o teu futuro e faço das lembranças um lugar seguro. Não é que eu queira reviver nenhum passado, nem revirar um sentimento revirado, mas toda vez que eu procuro uma saída acabo entrando sem querer na tua vida. Eu procurei qualquer desculpa pra não te encarar, pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa, falar só por falar. Que eu já não tô nem aí pra essa conversa, que a história de nós dois não me interessa. Se eu tento esconder meias verdades você conhece o meu sorriso, lê o meu olhar. Meu sorriso é só disfarce, o que eu já nem preciso. E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais e te perder de vista assim é ruim demais.”
“Ela queria colo, mas só se fosse o dele. Ele queria um abraço, mas só se fosse o dela. Eles brigavam por ciúmes, e outros motivos aparentemente fúteis. Costumavam passar o dia todo chamando um ao outro de ‘‘idiota”, se irritavam e depois riam, mas no final era ela que ficava brava. E ele pedia desculpas, e continuava a rir. Ele sabia como deixá-la sorrindo, e ela gostava disso, gostava das palhaçadas que ele fazia para vê-la gargalhar, ela gostava do modo como ele a tratava. Ela fazia de tudo para fazê-lo sorrir quando estava triste, tentava de todas as maneiras mostrar o quanto ela gostava dele. Os dois não se entendiam, mas ao mesmo tempo, se entendiam muito bem. Eles discordam em quase tudo, e sempre acabavam discutindo. Ele chamava ela de ‘‘minha”, e ela chamava ele de ‘‘meu”. Passavam a maior parte do dia falando nada, e ao mesmo tempo, falando tudo. Não tinham muito assunto, mas sempre arranjavam algum. Os olhos dela brilhavam quando ele a chamava de pequena. Ela se sentia especial, se sentia única de certa forma. Mas ela odiava sentir ciúmes dele, por um momento, ela achava que roubariam o motivo dela de sorrir todos os dias. Quando estavam juntos, o tempo passava rápido, agora quando estavam longe, o relógio parecia parar. Tornava-se uma eternidade quando estavam um longe do outro, e logo depois de dar um ‘‘tchau” já sentiam saudades. Eles eram diferentes, tinham pensamentos diferentes, eles eram imperfeitos, e perfeitos um para o outro. Eles ainda não eram um casal, não namoravam, não tinham nada um com o outro, e os dois sabiam que se pertenciam mesmo assim. Eles faziam planos para um futuro próximo, pensavam em se encontrar, em ficar juntos, e ter a tão sonhada ‘‘vida á dois.” Imaginavam estar juntos, construindo uma família, uma vida. Eles sonhavam com isso, faziam tantos planos, mesmo sem saber se esse ‘‘futuro” chegaria, ou não. Brigavam, se desentendiam, ficavam alguns dias sem se falar, mas eles sabiam que no fundo, um não vive sem o outro.”